domingo, 20 de setembro de 2009

FOTOS LANÇAMENTO LIVRO HUMBERTO G.B. por Lelé











ALGUMAS FOTOS (qualidade duvidosa - tirei do celular) NO LANÇAMENTO DO LIVRO " NOSSA SENHORA DO BRASIL " DE HUMBERTO GOMES DE BARROS, EM 18-SET-09 - NO MEMORIAL DA REPÚBLICA, EM FRENTE AO NOSSO CORETO.
(Declaro minha emoção por ter encontrado o Bengo nesse encontro, colega do Colégio Estadual , que não nos viamos desde 1963).

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Noticias da Gazeta - 1955 por Lelé







Algumas noticias da Gazeta de Alagoas em 1955:
(clique na foto para aumentar)
-Sujeira na praia da Avenida
-Bertine miss Alagoas
- filmes de Maceió
-Nosso amigo Cáo lidera o Palmeiras em excursão para Viçosa
- Maso que jogou no Avenidense

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

7 DE SETEMBRO ESPECIAL por Alberto Cardoso

Reminiscências da 1ª Juventude .

Um 7 de setembro ESPECIAL.

Ano 1957, dia 7 de setembro, 9 horas de mais uma bela manhã de sol na Avenida Duque de Caxias ou Avenida da Paz, acordei com um grito de minha querida Mãe dizendo que a Parada Militar já estava iniciando. Pulando da cama, rosto lavado, pão com ovo e vitamina de banana, com o corriqueiro calção sem camisa, estava pronto e de saída para usufruir daquele magnífico dia. Um navio cargueiro e outro de combustível encontravam-se ancorados no pequeno Porto de Maceió em frente a minha casa(nº 1074)e o mar calmo com águas translúcidas indicava a todos que a abertura de verão estava decretada.

Atravessei a rua, cheguei na praça e passei quase correndo em frente ao Coreto e ia observando todos os moradores a postos nas calçadas e logo na esquina da casa de Paulo Afonso estavam o Grapete, Mané Sapinho, Mané pintor, Paulo da capa, Tonho e Luiz Policarpo no maior papo e do outro lado do beco o Sr. Pádua de tamancos e camisa listada de pijama, conversando com Tonho garçon, logo após Sr. Béu , dona Santina com Bebé e mais na frente o Sr. Heráclito preocupado com os pivetes dos Bentes, seguia na direção da ponte do rio Salgadinho até o clube Fenix Alagoano, local da concentração onde seria iniciada a Parada e seguiria na direção de Jaraguá, onde se encontravam os grupamentos do exército, da marinha da aeronáutica,bombeiros que desfilariam com suas respectivas bandas, com seus hinos e marchas que nunca saíram de minha memória. Sozinho seguia driblando os transeuntes, muitos vindo do interior que juntos com os da capital, chegavam para assistir e participar do grande evento, muita gente desconhecida num vai e vem contínuo e de vez em quando alguns aviões da FAB davam rasantes entre a avenida e a praia, na beira mar onde alguns banhistas pulavam tentando alcançar os trens de pouso, enquanto outros se jogavam no chão com medo e receio em função da baixa altitude que os mesmos atingiam.

Nesse percurso encontrei os colegas Adilson,Rafael Perreli, Lelé, Waldo e continuamos andando , quando observei Dr. Ulisses Braga com Guila e Ricardo e na porta de casa Sr. Ramalho com Quico, Paulo e Petrúcio sentados na arcada do terraço observando toda movimentação, em seguida a família Jardim em grupo com Biriba, Mário e Lizardo acenando para nós.

Muita gente circulando na Avenida, alegrias contagiantes e a turma ia se encontrando naturalmente para assistir a parada prestes a iniciar, passamos em frente ao Hotel Atlântico onde os Mirandas comandavam tudo com Hélio sempre risonho e brincalhão, explicando tudo a todos.Cruzamos a ponte do Salgadinho e avistei os Laveneres com a amiga Baby mais animada do grupo, e logo depois na porta de casa Dalmo Peixoto com dona Zélia e Cristina e em seguida o Sr. Barbosa com um time de peso sentados no seu muro, Draute, Ricardo, Emílio, Cuca,Eurico, Denise e Maristela assistiam a tudo alegremente e fizeram muitos acenos pela passagem da nossa turma pelo lado da praça .

Vimos alguns desmaios de soldados, pois diziam que acordavam cedo e que com aquele uniforme apertado e com aumento da temperatura ambiente naquela posição de sentido, a resistência acabava e tinham que ser socorridos, o que para nós parecia fraqueza e vergonha. Tínhamos muito preparo físico e não admitíamos tal hipótese, coisas da idade.

Lá vem o desfile, começando os carneirinhos com capas azuis por cima da lã, Jeeps sem capota com os militares graduados cheios de estrelas no peito, em continência, outros com espadas em punho, todos marchando forte e no mesmo rítimo e enfileirados ,seguidos dos tanques de guerra, caminhões de tropas, grupo de para-quedistas, ex-combatentes e carros de bombeiros,sob muitos aplausos e respeito, todas as forças desfilavam procurando mostrar o que tinham de melhor.

Por volta das 12 horas a parada estava acabando e todas as pessoas como se tivessem combinado, desciam para a praia para jogar bola e tomar banho de mar a vontade.

A nossa turma regressou das imediações do clube Fenix até o Coreto acompanhando a marcha e banda do exército, onde Cuíca ficava assobiando o hino tocado repetidas vezes até encher o saco e levar muitas lixas para parar.

Em frente ao Coreto na casa de dona Melinha estavam Carlito, Betuca , dona Zeca, Rosita , Socorrinho, com Alice e demais tias e parentes, todos empolgados com justa razão pela participação na parada militar daquele que um dia viria a ser o General Mário Lima o comandante do 20º BC. Mais a frente o Sr. Ariosvaldo com a família Cintra , com dona Áurea, Mozart , Marcos,Vitória, Verônica ,conversando animadamente com as famílias Cardoso, com minha mãe Elizabeth,minhas irmãs Laís, Iracilda,Elza,Leda, Sonia e Bete e a família Wanderley, com dona Enaura, Welma, Wania, Walma, Wilmene, e os pivetes Tido e Lívio.Enquanto meu pai Sr. Cardoso trocava opiniões com Sr. Sigismundo, Werter e Wolney, curtindo na sombra de uma castanholeira a brisa mansa que soprava do oceano atlântico.

Para os Meninos da Avenida , o tempo era infinito e absoluto,pois para nós felizes da vida, simplesmente não passava pelas nossas mentes que aquele macro ambiente pudesse ser alterado . Não pensávamos nem refletíamos, nem muito menos meditávamos sobre esta possibilidade. Estávamos como encobertos por uma nuvem de boa inocência. A regra era brincar, estudar e viver integralmente a cada dia, sem compromissos, sem grandes exigências, favorecidos pelo excelente ambiente coletivo existente, que permitia este precioso sentimento de paz e tranqüilidade.

Hoje, crescidinhos e olhando para nosso passado, cerca de 50 anos atrás, somos testemunhas de quanto fomos felizes e agradeço a DEUS ,em nome dos Meninos da Avenida, pelos belos dias e pelos belos sonhos que tivemos.

Recife,05/08/2009

Alberto Cardoso

quarta-feira, 22 de julho de 2009

ENCONTRO PALMEIRAS - FOTOS Lelé

21-julho-2009
ENCONTRO PALMEIRAS
ANIVERSÁRIOS: BEBÉ E BETO GOMES DE BARROS
FOTOS DE LELÉ

( clique na foto para aumentar)











segunda-feira, 29 de junho de 2009

O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA por Lelé










Não me atreveria aqui a discutir ideologia ou regime político do quadro atual de Cuba, nem tampouco descrever a magnífica viagem que fizemos toda a família à ilha, percorrendo-a de carro quase 4 mil quilômetros em três semanas, visitando cidades coloniais belíssimas e praias paradisíacas com direito a mergulhos em corais maravilhosos.


Desejo apenas relatar o meu momento mais sublime dessa viagem.


Dia 9 de junho, terça-feira, cinco e meia da tarde, sol ainda forte, 35 graus, chegamos a velha Santiago de Cuba, a mais africana, musical e apaixonante cidade de Cuba, berço da Revolução. Pelas ruas estreitas procurávamos hotel. Calle Heredia. Calle Enramada. De repente um enxame de roupas vermelhas com lenços azuis ou vermelhos no pescoço. Eram os estudantes primários voltando para casa.


Centenas deles. Alguns de mãos dadas com suas mães ou avós, na garupa da bicicleta do pai, mas a maioria desgarrada, brincando, dançando, chupando sorvete, gritando, fazendo algazarra. Numa situação inusitada de alegria. Felizes como pintos no lixo.


Sentei-me no meio fio, com uma Bucanero na mão, cerveja forte e gostosa, e fiquei apreciando aquele movimento de estudantes, sublime como uma procissão, se arrastando feito cobra. Esse sim, o maior espetáculo da terra. Confesso que lágrimas desceram. Fiquei com uma esperança engasgada no coração.


Em Cuba, um pais pobre, que vive principalmente do Turismo e da agricultura, a população passa aperto para garantir suas crianças na escola em tempo integral. Entram as 8:00 e saem às 5:30. E isto é uma rotina sagrado. Todos que conversamos foram unânimes em não abrir mão desse direito. O estudo é obrigatório até ao equivalente nosso 2º. Grau.


Cheguei a Maceió, dia 22, segunda-feira, depois de uma viagem puxada Havana-Bogotá-Manaus-São Paulo-Maceió. Mesmo assim fiz questão de ligar a TV Gazeta prá assistir as noticias locais. Numa reportagem, uma menina de 5 ou 6 anos, com as mãozinhas sujas de pólvora, ajudava a mãe na fabricação de bombas juninas. Confesso que lágrimas desceram. Voltei a ficar com um desânimo, uma impotência engasgada no coração.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

CAPIXABA por Carlito Lima

Osvaldo Carlos do Rego Couto, era seu nome pouco conhecido, todos lhe chamavam de Capixaba. Amigo de juventude nas areias brancas da praia da Avenida da Paz, excelente ponta direita do Avenidense Futebol Clube, o xodó das meninas, cuidava de seu físico como um bom narcisista. Desde cedo gostou de boas mulheres, bons papos, inteligência e raciocínio rápido lhe davam o toque de bom humor e alegria.
Há alguns anos morava em Brasília, nunca perdemos o contato, sempre gentil, quando vinha às Alagoas trazia presentes para os amigos. Conquistava a todos pela simpatia e alegria, um ser humano de bem com a vida. Na última vez que almoçamos juntos, festa de fim-de-ano do Cáo, relembramos grandes noitadas, aventuras de jovens cheios de sonhos e de irresponsabilidades. A vida de Capixaba dá um livro bem humorado.
Certa vez estávamos fazendo o passo na Avenida acompanhando o Bloco Cavaleiro dos Montes, era uma manhã quente de Banho de Mar à Fantasia. Ao tocar o Vassourinhas a moçada enlouqueceu, de repente Capixaba recebeu uma cotovelada na cara, desmaiou. Ao recuperar-se soube quem era o agressor, nada menos que Porreta, um baiano, alto, forte, arruaceiro de puteiros, certa vez bateu em três policiais. O marginal mais conhecido nas baixas rodas da zona de Jaraguá, não só por ser briguento, também por um pequeno detalhe, era uma tremenda bichona, a Madame Satã de Maceió. Todos tinham medo de Porreta, viado macho para ninguém botar defeito. Capixaba inconformado o desafiou para um duelo a muque, dali a um mês, no centro da Praça Sinimbu. Porreta topou a parada, marcaram a data, hora e local pelos intermediários.
Nosso amigo começou a preparar-se para grande luta; boêmios, putas, até a polícia sabia do desafio, a moçada ficou na expectativa. Capixaba diariamente corria do coreto da Avenida até o Morro Tom Mix, onde hoje é a Brasken.
Naquela época, Nezito Mourão, um dos maiores beques do Brasil, jogou no Santos de Pelé, canpeão do mundo em 61-62, havia aberto uma Academia de Boxe, Capixa se matriculou, recebia aulas técnicas de murros e defesas. Certa vez os dois “brigavam” em treinamento, Capixaba de repente aproveitou uma guarda aberta de Mourão, deu-lhe um soco no olho, o crioulão na hora tentou dar o troco no indisciplinado aluno, ele saiu correndo, foi bater em Marechal Deodoro. Fazia parte do treinamento.
Certa manhã, Capixaba avistou dois marinheiros ingleses andando na Avenida da Paz em direção ao cais do porto, ele gritou “Son of bich”, os marinheiros não gostaram, continuaram a caminhada, Capixaba correu atrás, provocando deu uma tapa em cada um. Começou uma briga de cinema, dois contra um. Lutaram até cansar. Assim foram os treinos para enfrentar Porreta, a Madame Satã.
Finalmente chegou a noite esperada. Alguns amigos acompanharam nosso herói até a Praça Sinimbu. Ao se aproximar ouviu do boiola: “Preparou-se para levar a maior surra de sua vida?”
Tiraram o relógio, a camisa, os assistentes formaram um círculo deixando os dois lutadores no centro. Aconteceu uma das maiores luta já presenciada nas Alagoas e alhures. Primeiros movimentos, adversários se estudando, alguns ataques, outras defesas, jogo de pernas. De repente rápidos murros, socos na cara, na barriga, às vezes se atracavam, se soltavam, não havia juiz para separar que nem o boxe. Esmurraram-se, se digladiaram por mais de uma hora, suavam, sangravam. Estavam cansados, Capixaba bobeou em sua guarda, Porreta aproveitou, acertou um soco desconcertante na cara, nosso amigo caiu no chão, jorrando sangue pela boca. A raiva subiu para cabeça, Capixaba num ímpeto incomunal levantou-se inesperadamente dando uma cabeçada no peito do distraído Porreta que rodou em queda para trás, caiu de costas. Ato contínuo, num pulo de gato, Capixaba montou por cima de Porreta esmurrando-o incessantemente. Retiraram Capixaba de cima de Madame Satã nocauteado, sangrando, levaram para o Pronto Socorro, faltando três dentes. Assim acabou o reinado de Porreta, o viado baiano mais macho do Brasil.
Capixaba, nessa última semana, também acabou seu reinado nesse mundo. Ao morrer um amigo vai-se um pedaço da gente, as lágrimas, a tristeza, os sinos dobram por todos nós, Capixaba. Resta agora, contar suas histórias, ou dançar um tango.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

OS 70 DE PETRÚCIO por Paulo Ramalho

Petrúcio, Eu e Quico, somos os rabugentos do Clã dos Ramalhos.

A nossa diferença de idade, o aniversariante e Eu, é de 1 ano e 9 meses, aproximadamente.

Hoje, essa diferença pouco representa, mas naquela época, freqüentávamos turmas diferentes.

Além de que saiu cedo de casa para morar em Vitória, no Espírito Santo, onde constituiu essa bela e querida família.

Mas, alguns fatos ficaram gravados na memória.

Nossas férias no Fundão, com nossos queridos e saudosos tios Helena e João, jamais serão esquecidas.

Assim como nossa infância na Avenida da Paz.

Aconteceu em pleno carnaval: Cada um recebeu um lança perfume Rodoro, para irmos ao baile infantil do Clube Fênix.

Fomos nos preparar, Petrúcio tomou um porre de lança no nosso quarto de vestir, que ficava anexo ao banheiro, no pavimento térreo. Rodopiou, bateu a perna com tanta força, na cômoda que ficava no quarto que D. Bi ouviu e foi olhar.

Petrúcio estava sentado no chão, com o lança perfume na mão, os olhos revirados.

Mamãe tomou o lança perfume e disse: - não vai mais a festa!

Eu e Quico, apressamos para sair logo, foi quando Petrúcio melhorou do porre e nos dedurou, Paulo e Quico também tomam.

D. Bi tomou nossos lanças perfume e disse: - ninguém vai mais à festa! Conclusão, perdemos o carnaval.

Outro fato, que já escrevi, e consta do Blog dos Meninos da Avenida, é que confeccionamos um Judas, para sacrificá-lo no sábado.

Amaramos o Judas em uma das traves de sustentação da porta da garagem, e a trave, amaramos no poste de iluminação que ficava atrás de nossa casa, na Rua Silvério Jorge, e ficamos esperando a hora do sacrifício.

Foi quando passou um grupo de operários de uma fábrica que ficava próxima a nossa casa, e levou o Judas.

Além do Judas, nossa preocupação era com a trave da porta da garagem, que D. Bi iria dar maior bronca.

Foi quando lembramos que Amaury, ainda estava em casa.

Entramos na maior carreira e aos gritos, Amaury, Amaury, os operários da fábrica roubaram nosso Judas.

Pelos gritos Amaury sentiu a nossa aflição,já estava no Box do banheiro, vestiu a calça do pijama, que naquela época era comprida, e saiu pela rua amarrando o cordão.

Além da estatura, Ele e Petrúcio são os mais altos, herança de nosso Pai, tinha um físico atlético, pois fazia bastante musculação.

Quando chegamos próximo à fábrica, nós atrás, em fila indiana, vimos os operários sentados na calçada da fábrica, e o Judas no poste do lado oposto.

Amaury desamarrou o Judas, colocou com a trave nas costa, e nos dirigimos para casa.

Os operários olhando, nada disseram, nós é que não conseguimos conter a alegria, olhando para os operários, demos o maior grito: ah! ah! ah! ah! ah!

Fundamos um time de futebol, o Atlântico Futebol Clube, e pedimos autorização a D. Bi para transformar a garagem em sede do clube, e fomos atendidos.

Pintamos a garagem e compramos lá pela Rua do Queimado ou Praça Rayol, um escudo de ferro de um time de futebol que havia sido extinto.

Mandamos pintá-lo com as corres de nosso clube, e penduramos na parede, coberto com um pano para ser retirado na hora da inauguração.

Petrúcio era o Presidente, e nossa Mãe, Presidente de Honra.

Quando da inauguração, o Presidente disse: - agora a Presidente de Honra vai tirar o pano do negócio!

Desnecessário dizer que a risada foi geral.

Fica a cargo de Quico dizer o motivo que levou D. Bi, acabar com a sede.

É possível que os fatos não estejam em ordem cronológica, mais são de nossa infância de meninos livres e felizes da Avenida.

Quem diria, Petrúcio 70, é Deus querer, eu chego lá.

Concluirei com um poema do teólogo Miguel de Unamuno:

“Alarga a porta, Pai,

porque não posso passar.

Fizeste a para as crianças

e eu cresci, a meu pesar.

Se não me alargas a porta,

diminui-me, por piedade.

Volta-me àquela idade

em que viver é sonhar”.

Beijos, e fiquem com Deus.

23 de abril de 2009.

Paulo.

terça-feira, 12 de maio de 2009

AS ÁGUAS DE 1949 por Carlito Lima


A chuva intensa nesse inverno nordestino fez-me voltar à infância. O ano, 1949, era um menino, nove anos, fiquei assustado com relâmpagos e trovoadas, me alegrava apenas lembrar dos caranguejos, eles saem do buraco com trovões, naquele dia eu havia colocado “ratoeiras” feita de lata de óleo em algumas tocas de goiamuns nas margens do Riacho Salgadinho. Durante a madrugada houve um temporal diluviano. O Salgadinho transbordou, encheu a Rua Silvério Jorge, onde eu morava, e adjacências. As grandes chuvas previstas para maio estavam acontecendo no final de abril.

À noite uma enxurrada desceu do Tabuleiro com muita velocidade, passando pelo bairro do Farol com um barulho aterrador de água em grande movimento. A aluvião avançou como se fosse uma onda desgovernada atropelando o que encontrava pela frente, carros, carroças, derrubou árvores. Quando a enxurrada se intensificou na descida do Farol, na Rua Barão de Anadia, perto fábrica de Guaraná Davino, aconteceu um forte estrondo, rompeu um enorme bloco de barro, desprendido da barreira caiu por trás das casas daquela rua. Tragédia, 20 residências soterradas, mais de 50 mortos.

No leito do vale do Riacho Reginaldo–Salgadinho a correnteza da água de chuva, volumosa e insustentável como um enorme vagalhão, levava o que havia pela frente em seu corredor. Na foz, no desembocar, onde o riacho deságua na Avenida da Paz, a enxurrada chegou tão forte que partiu ao meio a ponte de concreto da avenida. A ponte desmoronou, foi arrastada em dois blocos à beira-mar.

No vão, onde estava a ponte sobre o Salgadinho, ficaram apenas trilhos dos velhos bondes pregados em seus dormentes. O bonde era o transporte urbano mais usado naquela época.

Quando o dia amanheceu puderam-se avaliar os estragos da catástrofe, daquela chuva de volume nunca visto. Curiosos, usuários do bonde para o trabalho, ficaram estarrecidos, contemplando as conseqüências da água violenta naquela madrugada.

Pela manhã já se sabia pela da catástrofe pela Rádio Difusora, a enxurrada havia derrubado a ponte da Avenida. A Rádio anunciou a suspensão das aulas; depois do café da manhã, corri atrás de minhas “ratoeiras”, não encontrei uma sequer, em alguns locais estavam submersas. Andei até a praia, entrei no Hotel Atlântico, de uma privilegiada posição fiquei contemplando emocionado o vão da ponte apenas com os dormentes do bonde balançando.

Dois enormes blocos de concretos à beira-mar, lavados pelas ondas, como se fossem rochas naturais. Dois pedaços de ponte. Fiquei encantado com os trilhos pregados no dormente, resistindo numa linha curva, o que restou da tragédia. Esses mesmos trilhos serviram como base, construíram imediatamente uma ponte de pedestre provisória para usuários dos bondes atravessarem fazendo baldeação da linha Vergel do Lago - Ponta da Terra e vice versa. Os bondes paravam na cabeceira da ponte, os passageiros recebiam um tíquete, atravessavam a ponte improvisada, tomavam outro bonde que os levavam ao destino. Carros, caminhões e ônibus seguiam seu destino de Ponta da Terra para o Centro, arrodeando via bairro do Poço. Por conta disso, em Maceió, quando uma pessoa percorre um percurso maior que o previsto, ou faz muita delonga para contar alguma história, diz-se estar caminhando via Poço.

A meninada inocente e traquina até gostou da tragédia, apareceu mais outro divertimento. Todo dia nós acompanhávamos, encantados, as obras de engenharia, construção da nova ponte do Salgadinho. Da cabeceira descíamos, ficávamos por baixo da ponte de pedestre improvisada, em local estratégico, apreciando o desfile das calcinhas das meninas, das mulheres que atravessavam distraídas.

Com a construção de uma ponte de madeira provisória na Rua Silvério Jorge, o trânsito voltou ao normal na região da orla. Não gostamos, a rua ficou com trânsito intenso, tirou o bucolismo. A nova ponte de madeira acabou com nossa tranqüilidade e com o divertimento de apreciar as pernas das meninas por baixo da ponte.

Foi rápida a construção da nova ponte de concreto, logo inaugurada com muito estardalhaço. Quatro anos depois, Luzia, embaixo dessa mesma ponte do Salgadinho, tirou minha inocência, meus cabrestos.